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Notas sobre a manifestação da falsa consciência no caso da Venezuela

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  “ Doutrina Monroe”: Cartoon de WA Rogers mostra potentados europeus observando o poderio naval americano, em torno de 1904. Do New York Herald. Sem data (Fonte: BBC) “ Em qual mentira vou acreditar?” (Racionais MC’s) Por: Marco Rodrigues Vivemos um momento histórico em que a barbárie deixou de ser exceção para tornar-se método. No caso da Venezuela, este processo revela-se de maneira exemplar daquilo que Marx chamou de falsa consciência: uma forma de percepção da realidade produzida socialmente, funcional à manutenção da ordem dominante e naturalizada no cotidiano. Desde as sucessivas tentativas de deslegitimação do governo da República Bolivariana, promovidas pelos Estados Unidos por meio de sanções, bloqueios econômicos, pressões diplomáticas e operações de guerra híbrida, observa-se um fenômeno que precisa ser analisado: parcelas significativas da população — incluindo venezuelanos dentro e fora do país e setores da extrema-direita latino-americana — passaram a celebrar medida...

ADOECIMENTO CAPITAL

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O Brasil é um dos países que mais consomem tarja preta no mundo. Por: Marco Rodrigues I Em tempos de um capitalismo de mãos dadas com o fascismo, há um debate que precisa ser analisado à luz do materialismo dialético. O aumento significativo do uso de medicamentos de tarja preta. Portanto, analisemos o seguinte número: o Brasil vende cerca de 123 mil caixas de medicamentos tarja preta por dia. O que significa vender tanto remédio em uma sociedade que, paradoxalmente, padece de inúmeros males sociais, políticos, psíquicos e, sobretudo, culturais? Seria essa medicalização uma solução fast food para problemas muito mais profundos?  Como se vê, além da expansão do capitalismo e da mercantilização das doenças — temos agora uma expansão exponencial, e muitas vezes alienante, do consumo de tarja preta. É por essa razão que trago metaforicamente Pedro Bandeira e sua ideia de droga da obediência para este diálogo. Poius há uma hipótese séria que precisa ser posta: seria a indúst...

Vladimir Mayakovsky: um poeta a planos pulmões

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O poeta russ o Vladimir Mayakovsky (Владимир Маяковский), que viveu a Revolução Bolchevique de 1917, foi um dos grandes poetas de seu tempo. Com versos e composições audazes, iniciou um novo modo de fazer poesia. Escreveu vários poemas para declamação pública, derrubando as tradições literárias da cultura burguesa de sua época. Aos poucos, Mayakovsky inaugurava uma nova forma de produzir arte, vinculada ao futuro e às novidades tecnológicas surgidas na sociedade russa. Naquele período, os círculos acadêmicos eram muito comuns entre os russos; museus e cafés eram lugares preferidos de debate. No entanto, não foi esse o caminho seguido pelo poeta. Juntamente com aqueles que desejavam novas formas artísticas, Mayakovsky abandonou os círculos acadêmicos e dirigiu-se às praças, ruas e fábricas dos grandes centros urbanos da Rússia Soviética para escrever uma poesia que surgia em meio às contraditórias catástrofes da guerra. Clark e Holquist[1], por exemplo, relatam que Mayakovsky dormia n...

A MORTE EM VIDA

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  Retrato de Pablo Picasso. Juan Gris. 1912 Por: Marco Rodrigues I O happy hour é uma das horas mais esperadas por muitos. Trabalha-se durante toda a semana para que chegue logo a sexta-feira e, assim, se possa viver a própria existência da maneira que se acredita compreender aquele momento vivido. Um momento em que o eu se encontra diretamente consigo mesmo e com os demais ao seu lado. Um "paraíso". E, quando esse momento chega ao fim, o desespero surge tão rapidamente quanto a euforia vivida naquele instante. A vida cede lugar ao papel social que lhe foi atribuído. Reinicia-se a rotina, o trabalho e as demais tarefas. Um verdadeiro fardo! Para quantas pessoas a vida é assim? Um peso a carregar, em que os poucos instantes de felicidade representam apenas a interrupção temporária da dor — um tempo fugaz, que logo se esvai quando a alegria cessa. Viver como se a vida fosse uma obrigação, viver à espera do happy hour , é abandonar-se por muitos instantes; é deixar-se mor...

JOSUÉ DE CASTRO: MEMÓRIAS DE CARANGUEJOS

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  Josué de Castro  Memórias de  Caranguejos "Lembro-me bem deste triste dia. Andei a tarde toda, cavando o chão de pedra na beira da várzea esturricada, em busca de alguma raiz de macaxeira que tivesse ficado, por acaso, enterrada no solo da cultura da cultura de vazante. Mas não achei nada. Desanimado, sentei-me numa pedra na beira do riacho seco e vi, em torno de mim a planície descansada de uma vastidão impressionante. A seca tinha matado tudo. Deu-me uma tal depressão diante daquele espetáculo de areia e pedra, que senti meu coração, dentro do peito, crescer como se também virasse pedra". (Homens e caranguejos, p.74)  Dados biográficos.  Nascido em Recife, 1908, Josué de Castro foi um pensador e ativista brasileiro. Desde cedo, a fome foi uma grande preocupação sua. Aliás, foi o tema da sua vida.  Médico de formação, tornou-se um dos maiores geógrafos brasileiros. Suas obras, Geografia da fome e geopolítica da fome, são referências fundamentais para qua...

Meditações sobre o mundo capital

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  O grito. Edvard Munch  1893 Walter Benjamin dizia que a era moderna era a era do inferno. Nosso castigo, é a novidade do momento." E a última novidade é sempre a mesma coisa que se repete.  Creio que o mundo contemporâneo aprofundou a questão a tal ponto que, entre as vitrines que nos cegam cotidianamente, consomem nossos pensamentos, regredindo-nos ao estado mais primitivo e mitológico. Uma compulsão, cujo resultado só pode desencadear em patologias do contemporâneo, cuja aceleração do tempo é apenas uma dentre tantas.  É assim que estamos vivendo. Um eterno pesadelo de retornos dos mesmos.  Mas não sabemos. Pois o poder da organização capitalista deixa tudo muito bem delimitado. Obs. Este aforisma faz parte de um livro em construção. O título será. Meditações do mundo capital.  

SALINAS: UM RETRATO CALADO.

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  Salinas em frente à casa de Jean Jacques Rousseau Dados biográficos Luiz Roberto Salinas Fortes nasceu na cidade de Araraquara, localizada no Estado de São Paulo em 1 de Julho de 1937. Foi professor de filosofia da Universidade de São Paulo.  No âmbito acadêmico ficou conhecido pelos estudos de Rousseau, a quem, segundo a filósofa Marilena Chauí, trouxe uma originalidade na interpretação do filósofo genebrino.  Salinas se foi cedo demais. Mas deixou uma importante contribuição tanto em filosofia, como em suas memórias que demonstram muito bem o que foi o terror da ditadura militar.  I Sua obra mais conhecida possui um nome que já merece uma reflexão logo de início. Retrato calado.  O que seria um retrato calado? Para retratar, não é preciso dizer algo? Nem que seja em outra linguagem, a que não seja escrita?  Retrato calado faz parte daquele escopo que podemos nomear de escritas da tortura. Dizeres sobre traumas e violências sofridas durante as sessões de...