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A cegueira em Saramago

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Por: Marco Rodrigues.  “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” — Livro dos Conselhos. José Saramago.  “Estou cego!” O grito desesperado ecoa no meio da cidade. Um homem, parado diante do trânsito apressado, já não consegue enxergar os carros, as pessoas, as ruas. Mas não se trata de uma cegueira comum. Não há escuridão. O que ele vê é um branco intenso, leitoso, absoluto. Uma cegueira branca. José Saramago sabia que esta não era apenas uma doença física. Em Ensaio sobre a Cegueira, a perda da visão torna-se metáfora da própria condição humana. A cidade segue seu ritmo frenético. Os sinais abrem e fecham rapidamente. Os pedestres atravessam as ruas com ansiedade. Os motoristas aceleram impacientes, como se o tempo lhes escapasse pelas mãos. Em meio ao caos urbano, um carro permanece parado no cruzamento, imóvel como a pedra de Carlos Drummond de Andrade no meio do caminho. As buzinas começam a soar. As pessoas irritam-se. Ninguém deseja compreender o que acontece; querem ap...