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11 de Setembro: entre a civilização e a barbárie.

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Por: Marco Rodrigues George W. Bush deixou a Casa Branca e Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos. Havia muito trabalho pela frente. O governo Bush deixava como legado guerras, enormes gastos militares, denúncias de tortura, políticas controversas de segurança e uma sociedade profundamente dividida. O que seria feito dali em diante? Reformismo ou mudanças realmente significativas? Ainda não se sabia. Obama, naquele momento, parecia mais uma estrela do rock do que propriamente um político prestes a assumir a presidência da maior potência econômica e militar do planeta. Entre os acontecimentos que marcaram profundamente o governo Bush estava o ataque às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001. O atentado entrou definitivamente para a história da humanidade. Pela primeira vez, os Estados Unidos foram atingidos em seu próprio território por um ataque terrorista de proporções inimagináveis. A resposta política e discursiva de Bush foi marcada por uma linguagem que rapidament...

Não basta culpar o fascismo

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I  Por: Marco Rodrigues   O líder integralista Plínio Salgado. Crédito: Superinteressante – Abril.com Por: Marco Rodrigues  I  É de conhecimento de grande parte da população brasileira o avanço da extrema direita ao redor do globo e, especificamente, entre nós, latino-americanos. Discursos repletos de promessas, alternativas simplistas e, sobretudo, o pressuposto de uma nova organização social apresentam-se como respostas para as crises contemporâneas. Entretanto, aquilo que aparece como novidade pode ser compreendido, em outro nível, como a regularização de uma determinada racionalidade cujo princípio fundador poderia ser formulado nos seguintes termos: não há lugar para todos. Diferentemente de alguns setores da intelectualidade brasileira que tendem a analisar o fascismo prioritariamente sob a ótica da irracionalidade, precisamos compreender que existe um projeto de sociedade. O pressuposto do “todos contra todos” e do “ninguém por ninguém” pode ser entendido como...

NEIL POSTMAN: CONSIDERAÇÕES SOBRE O DESAPARECIMENTO DA INFÂNCIA. Ou, sobre o eterno retorno de uma ideia. (resenha)

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  Por. Marco Rodrigues I. Dados Biográficos O início de qualquer resenha merece, antes de tudo, um breve esboço biográfico do autor analisado. No caso específico desta obra, Neil Postman pode ser considerado um daqueles pensadores que Friedrich Nietzsche chamou de "homens póstumos", isto é, indivíduos que parecem nascer fora de sua época e conseguem enxergar além das aparências de seu tempo. Postman foi professor da Universidade de Nova York e autor de mais de vinte livros. Entre suas obras mais conhecidas destacam-se O Desaparecimento da Infância e O Fim da Educação: Redefinindo o Valor da Escola. Seus escritos abordam, sobretudo, a relação entre tecnologia, comunicação e cultura, examinando os impactos dos meios tecnológicos na formação humana e nas instituições sociais. Em O Fim da Educação, por exemplo, o autor analisa os efeitos da crescente devoção da sociedade norte-americana à tecnologia, ao utilitarismo e ao consumo. Essa mesma preocupação está presente em O Desapare...

A cegueira em Saramago

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Por: Marco Rodrigues.  “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” — Livro dos Conselhos. José Saramago.  “Estou cego!” O grito desesperado ecoa no meio da cidade. Um homem, parado diante do trânsito apressado, já não consegue enxergar os carros, as pessoas, as ruas. Mas não se trata de uma cegueira comum. Não há escuridão. O que ele vê é um branco intenso, leitoso, absoluto. Uma cegueira branca. José Saramago sabia que esta não era apenas uma doença física. Em Ensaio sobre a Cegueira, a perda da visão torna-se metáfora da própria condição humana. A cidade segue seu ritmo frenético. Os sinais abrem e fecham rapidamente. Os pedestres atravessam as ruas com ansiedade. Os motoristas aceleram impacientes, como se o tempo lhes escapasse pelas mãos. Em meio ao caos urbano, um carro permanece parado no cruzamento, imóvel como a pedra de Carlos Drummond de Andrade no meio do caminho. As buzinas começam a soar. As pessoas irritam-se. Ninguém deseja compreender o que acontece; querem ap...

A razão fascista.

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  Marcha integralista no Rio de Janeiro, em 1937 Crédito: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro Marco Rodrigues I  Desde as reformas de base pensadas no início dos anos 60, nosso país perdeu o rumo daquela esperança inicialmente sonhada e caminhou a passos largos para um obscurantismo sem fim. Não se tratava obviamente de um horizonte revolucionário, porém, era um interessante momento da nossa rica cultura brasileira. Cinema, teatro, música, literatura, artes e humanidades em geral, todos, em grande medida, pensando um projeto de Brasil a partir de suas áreas de conhecimento. Mas isso não durou muito, houve um brutal rompimento com o advento da ditadura militar e no lugar desta rica cultura, surgiu a tal cultura de massa decadente e sobretudo, alienante. Tais elementos formaram uma geração de homens e mulheres, cujo resultado é muito perceptível nos dias de hoje. Afinal foram 21 anos de ditadura militar, de sonhos interrompidos, retrocessos, desintelectualização, desapar...

Saber e experiência. Notas.

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  Benjamin Franklin, em 1 de outubro de 1752, auxiliado por seu filho William,[1] realizando a experiência da pipa. Atualmente, as informações circulam em uma velocidade tão intensa que já não necessitamos da televisão para tomar conhecimento dos fatos. As novas tecnologias nos oferecem uma suposta liberdade de escolha sobre aquilo em que acreditar. No entanto, esse excesso informacional, quando não é organizado e criticamente assimilado, transforma nossas mentes em verdadeiros depósitos de dados fragmentados e, muitas vezes, inúteis. Eis a chamada sociedade da informação: um fluxo incessante de fatos, discursos, imagens, boatos e conteúdos efêmeros que nos atravessam a todo instante. Contudo, na mesma proporção em que cresce o volume de informações, diminui a capacidade de elaboração da experiência. A rapidez com que tudo se transmite produz um efeito profundo: a ruptura do elo entre passado, presente e futuro. Uma vez rompida essa continuidade, o saber historicamente acumulado pe...

O mito da razão única

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Por: Marco Rodrgues Um fenômeno silencioso, porém profundamente perigoso, vem ocorrendo há tempos na chamada sociedade da informação: a difusão das ideias sob a ótica da razão única. Poucos percebem esse processo, embora seus efeitos sejam cada vez mais visíveis. Mas o que significa, afinal, a razão única? Trata-se da construção e da circulação de uma única interpretação dos fatos — especialmente no campo político — cuja finalidade não é o debate, mas o convencimento a qualquer preço, isto é, fazer com que toda posição divergente seja percebida como errada, ilegítima ou irracional. O perigo imediato dessa lógica é o autoritarismo. A história oferece exemplos eloquentes. Governos que se sustentaram sobre o mito da razão única — como a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini — difundiram sistematicamente à população a crença de que o fascismo e o nazismo eram regimes benéficos, apresentados como soluções para os males sociais. Para que tal construção fosse possível, o engano, a distor...