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JOSUÉ DE CASTRO: MEMÓRIAS DE CARANGUEJOS

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  Josué de Castro  Memórias de  Caranguejos "Lembro-me bem deste triste dia. Andei a tarde toda, cavando o chão de pedra na beira da várzea esturricada, em busca de alguma raiz de macaxeira que tivesse ficado, por acaso, enterrada no solo da cultura da cultura de vazante. Mas não achei nada. Desanimado, sentei-me numa pedra na beira do riacho seco e vi, em torno de mim a planície descansada de uma vastidão impressionante. A seca tinha matado tudo. Deu-me uma tal depressão diante daquele espetáculo de areia e pedra, que senti meu coração, dentro do peito, crescer como se também virasse pedra". (Homens e caranguejos, p.74)  Dados biográficos.  Nascido em Recife, 1908, Josué de Castro foi um pensador e ativista brasileiro. Desde cedo, a fome foi uma grande preocupação sua. Aliás, foi o tema da sua vida.  Médico de formação, tornou-se um dos maiores geógrafos brasileiros. Suas obras, Geografia da fome e geopolítica da fome, são referências fundamentais para qua...

Meditações sobre o mundo capital

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  O grito. Edvard Munch  1893 Walter Benjamin dizia que a era moderna era a era do inferno. Nosso castigo, é a novidade do momento." E a última novidade é sempre a mesma coisa que se repete.  Creio que o mundo contemporâneo aprofundou a questão a tal ponto que, entre as vitrines que nos cegam cotidianamente, consomem nossos pensamentos, regredindo-nos ao estado mais primitivo e mitológico. Uma compulsão, cujo resultado só pode desencadear em patologias do contemporâneo, cuja aceleração do tempo é apenas uma dentre tantas.  É assim que estamos vivendo. Um eterno pesadelo de retornos dos mesmos.  Mas não sabemos. Pois o poder da organização capitalista deixa tudo muito bem delimitado. Obs. Este aforisma faz parte de um livro em construção. O título será. Meditações do mundo capital.  

SALINAS: UM RETRATO CALADO.

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  Salinas em frente à casa de Jean Jacques Rousseau Dados biográficos Luiz Roberto Salinas Fortes nasceu na cidade de Araraquara, localizada no Estado de São Paulo em 1 de Julho de 1937. Foi professor de filosofia da Universidade de São Paulo.  No âmbito acadêmico ficou conhecido pelos estudos de Rousseau, a quem, segundo a filósofa Marilena Chauí, trouxe uma originalidade na interpretação do filósofo genebrino.  Salinas se foi cedo demais. Mas deixou uma importante contribuição tanto em filosofia, como em suas memórias que demonstram muito bem o que foi o terror da ditadura militar.  I Sua obra mais conhecida possui um nome que já merece uma reflexão logo de início. Retrato calado.  O que seria um retrato calado? Para retratar, não é preciso dizer algo? Nem que seja em outra linguagem, a que não seja escrita?  Retrato calado faz parte daquele escopo que podemos nomear de escritas da tortura. Dizeres sobre traumas e violências sofridas durante as sessões de...

Diário de uma tristeza comum: rememorações subterrâneas de um genocídio. Resenha.

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 Autor: Mahmoud Darwish Tamanho: 176 páginas Editora: Tabla Ano  de publicação: 1973. Edição de 2024 ISBN: 9786586824797 “ Um dos tópicos básicos da educação  israelense, o tópico principal na ordem das prioridades sionistas, é manter a consciência geral permanentemente focada na memória como forma de mobilizar o sentimento nacionalista.”(p.30) Mahmoud Darwish é da poesia. Diário de uma tristeza comum é o primeiro livro escrito em prosa. Trata-se de um conjunto de ensaios publicados em 1973 em Beirute. Estes ensaios autobiográficos recuperam o passado do autor na Palestina ocupada. As experiências da Nakba, deslocamentos e muitas vivências entrelaçando um olhar dialético sobre a vida e o mundo, traçam uma importante reflexão para o leitor de hoje conhecer de fato a história do projeto colonial sionista e seus pressupostos.  I  O livro que agora resenhamos traz narrativas envolventes, relembrando que por debaixo daqueles escombros existiram muitas vidas violadas ...

O PENSAMENTO COMO FREIO DE EMERGÊNCIA.

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Tenho pensado em diversos momentos sobre o papel do pensar em nossas terras brasileira. Este campo do conhecimento que abrange muitas áreas do saber que durante séculos apenas serviu como aprendizado de leitura e interpretação do que vinha de fora. Uma herança do nosso passado colonial que muito bem denunciado por Paulo Arantes é nomeado de departamento ultramar. No caso, da filosofia.  Mas felizmente os tempos são outros e não nego a importância desta forma de aprendizado desta “filosofia”. E formado nesta tradição de repeteco, meus mestres também assim o foram e alguns deles atingiram a maioridade e começaram a filosofar, como é o caso de Paulo Arantes, um dos autores que precisamos ler com muito cuidado, pois seus textos certamente não são introdutórios para aqueles que ainda não tem certa afinidade filosófica com os termos.  Mas o que pretendo colocar aqui neste espaço é pensar a possibilidade de uma meditação atenta aos tempos atuais, mas sem ao mesmo tempo nã...

CRISE DA EDUCAÇÃO?

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I  Darcy Ribeiro foi muito assertivo ao dizer que a crise da educação é um projeto. Não há nada mais óbvio que isso.  Nosso país não erradicou o analfabetismo, não forneceu uma educação de qualidade e acessibilidade a todos e nem forneceu uma universidade acessível, indepedente de vestibular. Com esses exemplos aqui mencionados podemos perceber o resultado da educação brasileira não poderia ser outro: trata-se de uma tragédia anunciada.  No capitalismo, o setor da educação é tomado pelas classes dominantes para transmitirem seus valores, ideologias e sobretudo, saberes necessários para adpatação da vida em sociedade. Além de funcionar como um aparelho ideológico do estado, é funcional para alocação de indivíduos em um modo de vida, contribuindo significativamente para a modulação subjetiva, de acordo com o lugar social que cada um ocupa.  Um dos exemplos mais notórios que vem ocorrendo nos dias atuais é ter a compreensão das coisas sob um viés psicologista. Não é a t...

LEANDRO KONDER: UM MEMORIALISTA DA REVOLUÇÃO

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  I  "O homem isolado não pode atuar na natureza sem o emprego de seus próprios músculos, sob o controle de seu próprio cérebro. Assim, como o sistema natural, a cabeça e as mãos estão interligadas, também o processo de trabalho conecta o trabalho intelectual ao trabalho manual." (Karl Marx, O capital, Volume I, p. 577) Leandro Konder é um daqueles filósofos que parecem não ser lidos pelos estudantes de humanas, nem pelos estudantes de filosofia, especificamente. Deveria ser um autor lido por todos, indepedente da área que seja. Pois o desenvolvimento da cultura e do pensamento absrtrato deve estar ao alcance de todos, mas como sabemos, estamos em uma sociedade de classe e os acessos aos bens cultuarais não estão ao alcance de todos. As razões para esta afirmação são de ordem simples e não necessitam de um elaboramento mais abstrato, pois o que quero mencionar aqui é: Leandro Konder foi um memorialista da cultura em prol da revolução. Ora. O que isso quer dizer? Uma das carac...