CRISE DA EDUCAÇÃO?
I
Darcy Ribeiro foi muito assertivo ao dizer que a crise da educação é um projeto. Não há nada mais óbvio que isso.
Nosso país não erradicou o analfabetismo, não forneceu uma educação de qualidade e acessibilidade a todos e nem forneceu uma universidade acessível, indepedente de vestibular. Com esses exemplos aqui mencionados podemos perceber o resultado da educação brasileira não poderia ser outro: trata-se de uma tragédia anunciada.
No capitalismo, o setor da educação é tomado pelas classes dominantes para transmitirem seus valores, ideologias e sobretudo, saberes necessários para adpatação da vida em sociedade. Além de funcionar como um aparelho ideológico do estado, é funcional para alocação de indivíduos em um modo de vida, contribuindo significativamente para a modulação subjetiva, de acordo com o lugar social que cada um ocupa.
Um dos exemplos mais notórios que vem ocorrendo nos dias atuais é ter a compreensão das coisas sob um viés psicologista. Não é a toa a existêcia no interior das escolas de uma certa psicologia das emoções, voltada tanto para professores, como para os alunos. E esta modalidade tem como pressuposto entender os acontecimentos da esfera social sob o ponto de vista subjetivo, na qual o indivíduo pode reverter, se este mesmo entender as causas de tais males. Isso ignora completamente as esferas sociais, políticas e sobretudo estruturais no interior do capitalismo. Trata-se sobretudo, de uma máscara muito bem utilizada por ideologias neoliberais.
Outro aspecto que podemos mencionar, vem da ordem estrutural e formal dos empregos. Nosso país têm tem cerca de dois milhões de professores distribuídos em todos os estados da federação. Segundo o censo escolar de 2024 é que 14 estados possuem mais professores temporários que professores efetivos. E como todos aqui devem saber, professores temporários são aqueles que trabalham a base de contratos precários, sem garantia trabalhista alguma. Este professor está sujeito a todo tipo de perseguição política, pressão socual , que tem saláriio baixo, que se denunciar um esquema de corrupção, ou qualquer outra coisa errada pode ser demitido.
O estado do Acre, por exemplo, 79 por cento dos professores são temporários, em Santa Catarina são 75 por centro, Mato Grosso, 74 por cento, Espírito Santo 73 por cento, Mato Grosso do Sul, 79 por cento, Distrito Federal, 60 por cento.
Como se vê. Contratos precários, baixa remuneração e sobretudo, um viés ideológico de cunho psicologizante da o tom da ordem do capital. Uma esfera voltada única e exclusivamente para o indivíduo. Nada mais além do que isso.
Mas qual seria o interesse da grande burguesia em buscar o controle dos sistema educaionais ao redor do Brasil?
É simples. Eles querem dominar a circulação do dinheiro público e ao mesmo tempo determinar os conteúdos das grades curriculares que circulam nos livros didáticos. Neste sentido, a educação é um grande negócio. POr esta razão existem muitas acessorias em busca de um espaço na esfera pública. E é evidente que o que estou expondo aqui são linhas gerais e para um aprofundamento maior destas questões colocadas aqui, seria necessário um estudo de maior fôlego para uma compreensão de tais problemas.
Por fim. Nesta sociedade, convém dizer algo que não aparece nos estudos sobre educação. Salvo raras exceções. Há luta de classes na educação e ela ocorre por conta dos projetos dos donos do poder querem impor e em certo sentido estão conseguindo avançar suas pautas em termos de ensino nas escolas. O exemplo de uma educação das emoções, é um belo exemplo colocado por esta pequena elite.
A luta de classes pela educação ocorre condicionada pelas próprias tendências do desenvolvimento capitalista postas pelas necessidades do momento histórico. Como dito anteriormente, a questão de uma educação das emoções do indivíduo é um belo exemplo. Psicologizar uma visão histórica do mundo. Eis um dos pilares da educação sob o viés capitalista: compreender os fatos sociais única e exclusivamene do ponto de vista do indivíduo.
Enquanto isso, a classe trabalhadora segue desorganizada, cansada e exaurida fisica e mentalmente por conta das inúmeras demandas do trabalho e imersa em um cotidiano alienante. Apenas uma pequena parcela organizada da classe trabalhadora é dirigida por sindicatos, movimentos sociais, intelectuais e aparelhos ideológicos que levam a cabo um programa social liberal, cujo sentido é salvar o que está de ruim e se contentar com o menos pior, sem ao menos colocar em pauta a ideia de ruptura com a ordem burguesa.
O que fazer? Encarar a questão da educação como um processo de luta de classes é o primeiro ponto. É preciso entender. A educação não vai melhorar a democracia, não vai melhorar a questão do racismo, não vai melhorar as relações humanas. Salvar a educação brasileira significa ter capacidade de organização contra hegemônica que vise garantir lutas em prol do interesse nacional, anti imperialista s sobretudo,, autônomo e revolucionário. Sem isso, não há educação digna capaz de levar este nome.
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