O PENSAMENTO COMO FREIO DE EMERGÊNCIA.
Tenho pensado em diversos momentos sobre o papel do pensar em nossas terras brasileira. Este campo do conhecimento que abrange muitas áreas do saber que durante séculos apenas serviu como aprendizado de leitura e interpretação do que vinha de fora. Uma herança do nosso passado colonial que muito bem denunciado por Paulo Arantes é nomeado de departamento ultramar. No caso, da filosofia.
Mas felizmente os tempos são outros e não nego a importância desta forma de aprendizado desta “filosofia”. E formado nesta tradição de repeteco, meus mestres também assim o foram e alguns deles atingiram a maioridade e começaram a filosofar, como é o caso de Paulo Arantes, um dos autores que precisamos ler com muito cuidado, pois seus textos certamente não são introdutórios para aqueles que ainda não tem certa afinidade filosófica com os termos.
Mas o que pretendo colocar aqui neste espaço é pensar a possibilidade de uma meditação atenta aos tempos atuais, mas sem ao mesmo tempo não deixar de lado o que de melhor a tradição nos legou. Não quero cometer um epistemecídio europeu, mas pensar além do que os outros pensaram, e usar estes conhecimentos herdados ao longo dos anos como uma kpoderosa ferramenta de compreensão dos problemas sociais decorrentes do mundo em que vivemos. Saltar para a maioridade, deixar a condição subjugada para traz, mas ler criticamente este passado e com ele, apreende-lo de modo a não apenas se prender em moldes prontos para pensar nossa realidade.
Pensar uma poderosa arma crítica de compreensão profunda sobre a vida e a sociedade, pensar radicalmente a questão dos problemas como um freio de emergência. E quem usa este termo é o filósofo alemão Walter Benjamin. A filosofia como freio de emergência seria dar uma parada nesta locomotiva chamada capitalismo que avança rumo a barbárie e parece não estar preocupada com o amanhã. Aqui o freio de emergência funcionaria como uma espécie de ruptura denúncia-anúncio de algo que está prestes a acontecer: a catástrofe do capital e seus processos destrutivos.
Nosso tempo contemporâneo pode ser muito bem resumido na seguinte citação:
“A plebe está possuída por aquele ódio frenético contra a vida espiritual, que reconheceu na contagem dos corpos a garantia para o aniquilamento dela. Onde quer que se lhes permita, eles se colocam em fila, sob o fogo da artilharia ou a caminho do armazém eles se acotovelam em ordem de marcha. Nenhuma vê mais adiante do que as costas do homem da frente, e cada qual se orgulha de ser, dessa forma, modelo para o seguinte. Isto os homens aprenderam há séculos no campo de batalha, mas a marcha de parada da miséria, o fazer fila, foram as mulheres que inventaram”. (BENJAMIN, p.30)
Este ódio permeado na sociedade tem um nome político que deve ser nomeado conceitualmente: fascismo.
E por fascismo compreendemos a seguinte visão. A incorporação de um modo de vida, onde não há lugar todos viverem e que, portanto, alguns devem ser eliminados. Para isto ocorrer é preciso incorporar a insensibilidade e o estado constante de destrutividade e guerra.
Este estado de exceção tornou-se comum em muitos países europeus e latino americanos. A exceção torna-se regra e para sobreviver é preciso incorporar na subjetividade de cada um uma espécie de luta constante pela sobrevivência. Daí a necessidade de se reinventar o tempo todo. Não parar, ser criativo e multitarefas, é o discurso ideológico da vez.
Não somado à isso, em meio a correria em busca de “aperfeiçoamento constante” , a luta por sobrevivência neste estado de todos contra todos tem um imperativo. Não há lugar para todos. Portanto, a selvageria e insensibilidade tornam-se afetos comuns nas cidades. Consequentemente, xenofobia, ódio e discursos extremistas não é mais um elemento raro de se ver.
Barbárie..
Enquanto nossas maneiras de olhar, pensar e refletir o mundo contemporâneo não levar em conta o avanço imperial de destrutividade, vamos olhar para as coisas com um certo realismo paralisante, cujo sentido é um namoro cético sobre os fenômenos do mundo. Abandonado qualquer forma que contradiga o que está posto pelos aparelhos ideológicos do Estado. Sem querer ver a raiz do problema. Maqueando qualquer possibilidade de ler o mundo criticamente.
Botar um freio de emergência significa dar um basta sobre os processos manipulatórios que desde a tenta infância moldas toda subjetividade terrena que transforma qualquer visão sobre o objeto no mais distorcido entendimento sobre a coisa.
Romper com a hegemonia do capital e seus olhares postos, é o passo inicial.
Mas. Quem o faz?
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