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Mostrando postagens com o rótulo capitalismo

O PENSAMENTO COMO FREIO DE EMERGÊNCIA.

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Tenho pensado em diversos momentos sobre o papel do pensar em nossas terras brasileira. Este campo do conhecimento que abrange muitas áreas do saber que durante séculos apenas serviu como aprendizado de leitura e interpretação do que vinha de fora. Uma herança do nosso passado colonial que muito bem denunciado por Paulo Arantes é nomeado de departamento ultramar. No caso, da filosofia.  Mas felizmente os tempos são outros e não nego a importância desta forma de aprendizado desta “filosofia”. E formado nesta tradição de repeteco, meus mestres também assim o foram e alguns deles atingiram a maioridade e começaram a filosofar, como é o caso de Paulo Arantes, um dos autores que precisamos ler com muito cuidado, pois seus textos certamente não são introdutórios para aqueles que ainda não tem certa afinidade filosófica com os termos.  Mas o que pretendo colocar aqui neste espaço é pensar a possibilidade de uma meditação atenta aos tempos atuais, mas sem ao mesmo tempo nã...

IDEOLOGIA E DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL.

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I " Só se admitirá autonomia da Universidade, quando esta pertencer ao povo" (Alvaro Vieira Pinto) I Penso neste texto primeiramente a partir de um filósofo Brasileiro chamado Álvaro Vieira Pinto. Um homem que viveu um exílio em sua própria terra. Pois em tempos de ditadura militar, após ser obrigado a deixar o Brasil, sentiu saudades, não aguentou ficar distante de sua terra, voltou, no pior momento possível da ditadura, a imposição do Ato Institucional número 5, e com base em acordos com os militares, foi-lhe imposto uma série de censuras, das quais, não poderia escrever, dar palestras, dar aulas. Viveu isolado da sociedade Brasileira, mas não alienado dela.  Quando me remeto a este tema, ideologia e desenvolvimento educacional, lembro imediatamente da obra de Álvaro Vieira Pinto que leva o nome Ideologia e desenvolvimento nacional que faz uma análise interessante sobre o como ocorre este desenvolvimento.  Para entendermos esta questão, convém de ante mão lembrar as crítica...

ESCUTA EM TEMPOS DE CANSAÇO.

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  Os Amantes  – Rene Magritte (1928) Em tempos de sociedade do cansaço é possível escutar o outro? Escutar nos tempos atuais é um desafio. Primeiro porque há um desejo enorme de exposição, de fala, em segundo, para que haja escuta, ou, mais precisamente, parar e se por face a face, pressupõe a figura do outro como ser constituinte de meu ser. Mas isso parece estar cada vez mais distante em uma sociedade que o filósofo coreano Byung Chul Han nomeou de Sociedade do cansaço, ou seja, uma sociedade hiper individualizada, sem a figura do outro, e que portanto, indivíduos encontram-se isolados e cansados de si mesmos. Este é o novo cansaço contemporâneo. Cansaço de estar o tempo todo consigo.   Este avanço significativo da individualização destrói por completo aquilo que já dissemos anteriormente: a figura do outro. Mas, por quê isso acontece?  Há algo curioso que acontece nesta sociedade e que é preciso ser colocado aqui em questão. Há uma espécie de excesso de posit...

PATOLOGIAS DO CONTEMPORÂNEO: ACELERAÇÃO DO TEMPO.

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Salvador Dalí: A persistência da memória. 1931 Nossa vida na atual sociedade se caracteriza por dois momentos principais: a aceleração do tempo e a competição. E tais mecanismos ideológicos possuem efeitos devastadores na formação da psique, mas sequer percebemos o quão graves eles são. Mantemos a andada de nossos modos de vida como se fossem o último dia a se viver. Não há como não lembrar da canção de Paulinho Moska O último dia. Tal aceleração do tempo e de nossas vidas nos deixam cansados de nós mesmos.  Tais mecanismo são perceptíveis quando nós isolamos e não conseguimos enxergar a essência real do problema, pois há uma névoa que encobre nossos olhos e que nos impede de enxergar a coisa tal como ela é. Sair deste atoleiro é condição existencial de reexistência.   Mas quem realmente percebe tais mecanismos? Se perceber, o que fazer x aquilo que fazem de nós? Eis a questão chave para pensar e agir. Pensar somente não adianta.  Creio que o grande erro de compreensão em...

Droga da obediência.

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  O Brasil é um dos países que mais consomem tarja preta no mundo. I O célebre Jorge Luís Borges dizia que escrevemos nossos livros para nos ver livres deles Não sabemos nada quando nossos livros são lançados ao mundo. Nesta época repleta de pós-modernidade e sobretudo, liquidez, interpretações são as mais variadas possíveis, dignas, às vezes, de um realismo fantástico!  Pois bem meu caros. Como já perceberam, o título do texto remete ao escritor Pedro Bandeira e sua crítica radical aos fármacos e as consequências que este pode ter. Se é que é assim sua interpretação.  A partir do momento em que nossos livros dão vida própria, nós escritores já não podemos fazer nada. Uma vez lançado ao mundo, os dados estão lançados.  Mas, vamos ao ponto cerne de nossa reflexão: O Brasil vende cerca de 123 mil caixas de tarja preta por dia!  Lembram do título do texto? Droga da obediência.  O que significa vender tanto em uma sociedade que paradoxalmente padece de inúmeros...

O mundo do capital: reflexões de um tempo.

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  Guernica (1937) – Pablo Picasso Uma obra que reflete bem o poder destrutivo do capital I Uma das características do capitalismo  contemporâneo é tirar de todo ser humano a identidade cultural gestada em seu povo para lhes fornecer/impor uma normatividade repleta de fetiche. Isso mesmo. Fetiche. E tal palavra não é colocada à toa. Pois pense, em um sistema cujo sentido de sucesso está intrinsecamente ligado aos processos de desastres e de encobrimento do outro, perceber tais nuances não é tão simples assim. Quem acorda tem a exata medida da citação colocada aqui acima, uma espécie de pesadelo, cujo resultado é um longo processo de reconstrução de si mesmo.  Às vezes, o contrário nos faz acordar e pensar em um modo de produção, cujo resultado só pode ser a destruição por completo da vida, muitas vezes, é o pesadelo de uma extensão de vidas inteiras. Não é à toa que, por esta razão que no século XXI há tanta procura por curas milagrosas.  II Consequentemente aos proce...

RESSENTIMENTO

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  O grito, 1893 - Edvard Munch  I. A psique humana vem sendo construída por um  modo de produção que se transformou em uma forma de vida repleta de liberdade e responsabilidade. O atual discurso promove que somos inteiramente responsáveis pela gestão de nossa vida, inclusive, pelo sofrimento. Com a passagem da modernidade para o que se chama de pós-modernidade, as grandes referenciais e narrativas perderam espaço para uma espécie de individualização extrema que se tornou uma espécie de padrão vigente.  Nestes tempos neoliberais, de enormes exigências de si e para si mesmo, há um imperativo reinante: mais liberdade, menos Estado. Os desdobramentos deste modo de produção, de completa ausência de sentidos e solidariedade humana tem   deixado as pessoas abandonadas, - (no caso, os menos favorecidos) deprimidas, cansadas de si mesmas e sobretudo, solitárias. Este sofrimento, em meio às inúmeras exigências de maior desempenho , em meio à crescente desigualdade e coros...