PATOLOGIAS DO CONTEMPORÂNEO: ACELERAÇÃO DO TEMPO.


Salvador Dalí: A persistência da memória. 1931


Nossa vida na atual sociedade se caracteriza por dois momentos principais: a aceleração do tempo e a competição. E tais mecanismos ideológicos possuem efeitos devastadores na formação da psique, mas sequer percebemos o quão graves eles são. Mantemos a andada de nossos modos de vida como se fossem o último dia a se viver. Não há como não lembrar da canção de Paulinho Moska O último dia. Tal aceleração do tempo e de nossas vidas nos deixam cansados de nós mesmos.  Tais mecanismo são perceptíveis quando nós isolamos e não conseguimos enxergar a essência real do problema, pois há uma névoa que encobre nossos olhos e que nos impede de enxergar a coisa tal como ela é. Sair deste atoleiro é condição existencial de reexistência. 


Mas quem realmente percebe tais mecanismos? Se perceber, o que fazer x aquilo que fazem de nós? Eis a questão chave para pensar e agir. Pensar somente não adianta. 


Creio que o grande erro de compreensão em relação a esta patologia do contemporâneo é ter uma visão psicológica do fato, ao invés de se ter uma compreensão objetiva. Joga-se tudo para os recônditos de um certo idealismo, cuja resposta não ultrapassa este âmbito e nem colabora para um avanço de uma compreensão dialética de fato. Fica-se na superfície, não se aprofunda para ver as inúmeras contradições dos vários mecanismos que nós impedem de perceber o que nós acomete e nos imobiliza. 


Tal aceleração do tempo em nosso interior ocorre de inúmeras maneiras. Desde o gesto mais simples, como por exemplo: de querer fazer as atividades o mais rápido possível e desde aquelas que sequer ainda foram feitas, mas há uma grande carga de sofrimento antes de sua execução. E é justamente nesse ponto, o antes de tudo que, ao meu juízo, parece ser a grande patologia do contemporâneo. O sofrimento antecipado. 


Outro fator que merece atenção é que precisamos estar atentos, são os sinais que a sociedade e seus movimentos capitais nos fornecem. Vejam só. Nunca se falou tanto em mente quieta, coração tranquilo e sobretudo, em meditação. E você já se perguntou alguma vez porque se fala tanto em tais elementos? 


Questionar é um elemento importante e que desperta a reflexão. Quando se perde essa capacidade e se faz as coisas de maneira automática, cuidado! Você pode estar contaminado por tais mecanismos ideológicos que podem destruir ossa psiquê. 


Estar atentos ao movimento capital das coisas é condição fundamental para saber sobre si, sobre o outro e sobretudo, sobre o mundo que nos cerca. 


Será que diante de tantos estímulos conseguimos nos perceber?


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