LEANDRO KONDER: UM MEMORIALISTA DA REVOLUÇÃO

 


"O homem isolado não pode atuar na natureza sem o emprego de seus próprios músculos, sob o controle de seu próprio cérebro. Assim, como o sistema natural, a cabeça e as mãos estão interligadas, também o processo de trabalho conecta o trabalho intelectual ao trabalho manual." (Karl Marx, O capital, Volume I, p. 577)

Leandro Konder é um daqueles filósofos que parecem não ser lidos pelos estudantes de humanas, nem pelos estudantes de filosofia, especificamente. Deveria ser um autor lido por todos, indepedente da área que seja. Pois o desenvolvimento da cultura e do pensamento absrtrato deve estar ao alcance de todos, mas como sabemos, estamos em uma sociedade de classe e os acessos aos bens cultuarais não estão ao alcance de todos.

As razões para esta afirmação são de ordem simples e não necessitam de um elaboramento mais abstrato, pois o que quero mencionar aqui é: Leandro Konder foi um memorialista da cultura em prol da revolução.

Ora. O que isso quer dizer?

Uma das características centrais de seus trabalhos é o fato de ser aquilo que Carlos Nelson Coutinho chamou de Filósofo Democrático. Dialogou com varios autores que não necessariamente comungam do mesmo repertório. Escreveu sobre Kafka, Hegel, Marx, Brecht, Flora Tristan, Rimbaud, entre tantos outros. E estes autores por si só tem um elo específico para Koinder. A divulgação de ideias, não como um estudo meramente reprodutor de pensamentos alheios, muito pelo contrário, são muito bemm pensados. Cada um dentro de seu contexto para o o tempo em que vivemos. 

Podemos pegar o exemplo de Flora Tristan (1803-1844). Esta revolucionária do século XIX, que conheceu Charles Fourier, e lhe entregou pessoalmente seu livro União operária,  é filha de pai Peruano e de mãe Fraancese. Esta pensadora no olhar de Konder é lida especificamente como um mulher revolucionária (que foi) e que desenvolveu importante pensamentos sobre o papel da mulher na sociedade e atual incansavelmente na defesa dos trabalhadores. 

Sua condição de mulher e seus pensamentos eram considerados avançados para a época, como por exemplo: o fato de Flora Tristan ser perseguida implacavelmente por seu marido e esta lutar incansavelmente pelo divóricio, algo raramente pensado na época, exceto em condições muito específicas.Konder faz uma leitura dialética desta pensadora como uma mulher importante para o pensamento feminista contemporâneo. 

Vejam. A leitura de Konder engloba dois aspectos. Tanto no caso de Flora Tristan, como em diversas outras outras obras, elas não são lidas gratuitamente Tratam-se de autores resgatados com o objetvo de pensar o tempo presente. 

"O conhecimento da vida e obra de Flora, sem mitificá-la, reconhecendo seus exageros, suas unilateridades, seus delírios, põe-nos diante de uma experiência humana que nos interpela. Que nos obriga a indagar: o que temos feito em prol de uma socieddade mais justa? Temos sido suficientemente generosos em nossa participação nas lutas politicas? Temos sido bastante coerentes com nossas ambições à universalidade, em nossa disposição em servir à humanidade? Temos feito tudo que podíamos fazer pela superação do preconceito e situações que prejudicam a metade feminina do gênero humano? Ou temos cedido algumas vezes a atitudes conformistas, que resultam de alguma forma em acumpliciamento com as discriminações de que são vítimas as mulheres? (Konder, p. 121)

Este exemplo que lhes chamo atenção do que tenho dito aqui que se trata de uma leitura dialética. Pois, Knder além de fazer uma leitura crítica, leva em consideração as contradições da vida de Flora, seu contexto e nos provoca a pensar a importância de tais pessoas e suas contribuições ioortantes para nossas vidas. 

Um leitura dialética é isso: levar oo todo em consideração, ou seja, seu contexto histórico, seus limites, seus avançoes e o que tais ideias podem nos ajudar enquanto seres humanos que buscamos uma sociedade radicalmente mais justa e mais humana. 

Há outro aspecto importante a citar sobre a obra de Konder,, citado por Mateus Tuzzin de Oliveira e Nagel Fagundes:

"Considerada em sua faceta divulgadora, política e estética, oa obra de Konder se apresenta como um mosaico de temas, bem como uma fonte de questões a explorar. Sua intenção formativa e informativa permite qualificá-la como uma tentativa de afirmação de determinadas posições intelectuais, mas também políticas, desde um ponto de vista assumidamente crítiico e marxista. (p. 10)

E como expoente do pensamento crítico e reflexivo, Konder nos deixou uma obra rica que serve-nos como repertório intelectual para nos aprimorar e engrandecer na cultura de grandes homens e mulheres que encotraram sentido em suas vidas na busca de uma sociedade radicalmente diferente desta que estamos vivendo atualmente.  

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