Postagens

O PENSAMENTO COMO FREIO DE EMERGÊNCIA.

Imagem
Tenho pensado em diversos momentos sobre o papel do pensar em nossas terras brasileira. Este campo do conhecimento que abrange muitas áreas do saber que durante séculos apenas serviu como aprendizado de leitura e interpretação do que vinha de fora. Uma herança do nosso passado colonial que muito bem denunciado por Paulo Arantes é nomeado de departamento ultramar. No caso, da filosofia.  Mas felizmente os tempos são outros e não nego a importância desta forma de aprendizado desta “filosofia”. E formado nesta tradição de repeteco, meus mestres também assim o foram e alguns deles atingiram a maioridade e começaram a filosofar, como é o caso de Paulo Arantes, um dos autores que precisamos ler com muito cuidado, pois seus textos certamente não são introdutórios para aqueles que ainda não tem certa afinidade filosófica com os termos.  Mas o que pretendo colocar aqui neste espaço é pensar a possibilidade de uma meditação atenta aos tempos atuais, mas sem ao mesmo tempo nã...

CRISE DA EDUCAÇÃO?

Imagem
I  Darcy Ribeiro foi muito assertivo ao dizer que a crise da educação é um projeto. Não há nada mais óbvio que isso.  Nosso país não erradicou o analfabetismo, não forneceu uma educação de qualidade e acessibilidade a todos e nem forneceu uma universidade acessível, indepedente de vestibular. Com esses exemplos aqui mencionados podemos perceber o resultado da educação brasileira não poderia ser outro: trata-se de uma tragédia anunciada.  No capitalismo, o setor da educação é tomado pelas classes dominantes para transmitirem seus valores, ideologias e sobretudo, saberes necessários para adpatação da vida em sociedade. Além de funcionar como um aparelho ideológico do estado, é funcional para alocação de indivíduos em um modo de vida, contribuindo significativamente para a modulação subjetiva, de acordo com o lugar social que cada um ocupa.  Um dos exemplos mais notórios que vem ocorrendo nos dias atuais é ter a compreensão das coisas sob um viés psicologista. Não é a t...

LEANDRO KONDER: UM MEMORIALISTA DA REVOLUÇÃO

Imagem
  I  "O homem isolado não pode atuar na natureza sem o emprego de seus próprios músculos, sob o controle de seu próprio cérebro. Assim, como o sistema natural, a cabeça e as mãos estão interligadas, também o processo de trabalho conecta o trabalho intelectual ao trabalho manual." (Karl Marx, O capital, Volume I, p. 577) Leandro Konder é um daqueles filósofos que parecem não ser lidos pelos estudantes de humanas, nem pelos estudantes de filosofia, especificamente. Deveria ser um autor lido por todos, indepedente da área que seja. Pois o desenvolvimento da cultura e do pensamento absrtrato deve estar ao alcance de todos, mas como sabemos, estamos em uma sociedade de classe e os acessos aos bens cultuarais não estão ao alcance de todos. As razões para esta afirmação são de ordem simples e não necessitam de um elaboramento mais abstrato, pois o que quero mencionar aqui é: Leandro Konder foi um memorialista da cultura em prol da revolução. Ora. O que isso quer dizer? Uma das carac...

Um ser à destruição do outro ser: sobre a causa palestina.

Imagem
Edward Said. Símbolo de resistência palestina  I  Começo dizendo que se faz mais do que necessário a filosofia brasileira pensar os problemas contemporâneos. Em específico, nós latino americanos, brasileiros, colonizados até o último fio de cabelo, não temos o costume de pensar com a própria cabeça. Eu mesmo durante décadas, desde minha entrada na graduação, até o doutorado, pensei com a cabeça dos outros. Formei-me com um PHD nos Estados Unidos, uma formação sólida, mas fraca no que diz respeito à causa brasileira/latino americana. Somente após o doutorado comecei a entrar em contato com obras que explicam nossa região. Isso é um exemplo de colonialismo!  Sabia muita coisa fora do meu país, mas nada a respeito de nós hermanos. Claro que a questão colocada aqui rende pano pra manga. O que seria pensar com a cabeça dos outros? O conhecimento ao longo dos anos não é fruto de inúmeras interações entre os homens? E como seria possível pensar com a própria cabeça?  Começo...

Os filósofos e o debate sobre a pandemia COVID 19: uma memória.

Imagem
  ,  Byung-Chul Han, Judith Butler y Slavoj Zizek I  Desde que a Pandemia Covid-19 espalhou-se pelo mundo, muitos governos ficaram em alerta. Mas esta luz amarela acesa nos faróis de atenção se deu a partir do momento em que o isolamento social e o estado de emergência foi decretado em vários países. Como por exemplo, a Itália que ignorou todas as orientações na época e hoje paga um alto custo com vidas e colapso do sistema de saúde. Foi somente a partir de inúmeros debates surgidos, do perigo estar batendo à porta que, o pensamento científico,  político e sobretudo filosófico,  começaram voltar as atenções para o problema antes minimizado, mas que suscitaram vários questionamentos por parte dos filósofos contemporâneos. Neste anúncio pandêmico, algumas questões ficaram mais evidentes e saltaram aos olhos: A) será que o confinamento vai nos fazer ficar mais solidários? B) Será o princípio de alguma mudança social? C) Será o coronavírus o prelúdio anunc...