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LEANDRO KONDER: UM MEMORIALISTA DA REVOLUÇÃO

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  I  "O homem isolado não pode atuar na natureza sem o emprego de seus próprios músculos, sob o controle de seu próprio cérebro. Assim, como o sistema natural, a cabeça e as mãos estão interligadas, também o processo de trabalho conecta o trabalho intelectual ao trabalho manual." (Karl Marx, O capital, Volume I, p. 577) Leandro Konder é um daqueles filósofos que parecem não ser lidos pelos estudantes de humanas, nem pelos estudantes de filosofia, especificamente. Deveria ser um autor lido por todos, indepedente da área que seja. Pois o desenvolvimento da cultura e do pensamento absrtrato deve estar ao alcance de todos, mas como sabemos, estamos em uma sociedade de classe e os acessos aos bens cultuarais não estão ao alcance de todos. As razões para esta afirmação são de ordem simples e não necessitam de um elaboramento mais abstrato, pois o que quero mencionar aqui é: Leandro Konder foi um memorialista da cultura em prol da revolução. Ora. O que isso quer dizer? Uma das carac...

Um ser à destruição do outro ser: sobre a causa palestina.

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Edward Said. Símbolo de resistência palestina  I  Começo dizendo que se faz mais do que necessário a filosofia brasileira pensar os problemas contemporâneos. Em específico, nós latino americanos, brasileiros, colonizados até o último fio de cabelo, não temos o costume de pensar com a própria cabeça. Eu mesmo durante décadas, desde minha entrada na graduação, até o doutorado, pensei com a cabeça dos outros. Formei-me com um PHD nos Estados Unidos, uma formação sólida, mas fraca no que diz respeito à causa brasileira/latino americana. Somente após o doutorado comecei a entrar em contato com obras que explicam nossa região. Isso é um exemplo de colonialismo!  Sabia muita coisa fora do meu país, mas nada a respeito de nós hermanos. Claro que a questão colocada aqui rende pano pra manga. O que seria pensar com a cabeça dos outros? O conhecimento ao longo dos anos não é fruto de inúmeras interações entre os homens? E como seria possível pensar com a própria cabeça?  Começo...

Os filósofos e o debate sobre a pandemia COVID 19: uma memória.

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  ,  Byung-Chul Han, Judith Butler y Slavoj Zizek I  Desde que a Pandemia Covid-19 espalhou-se pelo mundo, muitos governos ficaram em alerta. Mas esta luz amarela acesa nos faróis de atenção se deu a partir do momento em que o isolamento social e o estado de emergência foi decretado em vários países. Como por exemplo, a Itália que ignorou todas as orientações na época e hoje paga um alto custo com vidas e colapso do sistema de saúde. Foi somente a partir de inúmeros debates surgidos, do perigo estar batendo à porta que, o pensamento científico,  político e sobretudo filosófico,  começaram voltar as atenções para o problema antes minimizado, mas que suscitaram vários questionamentos por parte dos filósofos contemporâneos. Neste anúncio pandêmico, algumas questões ficaram mais evidentes e saltaram aos olhos: A) será que o confinamento vai nos fazer ficar mais solidários? B) Será o princípio de alguma mudança social? C) Será o coronavírus o prelúdio anunc...

POR QUE O ESTOICISMO É TÃO LIDO NOS DIAS ATUAIS?

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Como as coisas dentro do modo de produção capitalista são sequestradas e usadas para fins comerciais e de dominação.  O Grito é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch, 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero. O plano de fundo é a doca do fiorde de Oslo ao pôr do sol .. I Temos visto nos dias atuais várias leituras e interpretações sobre o Estoicismo. Leituras estas que vão desde grandes empresários, intelectuais e pessoas comuns.  Mas porque esta corrente filosófica em específico ganhou o gosto de muitos?  Por que outras correntes filosóficas, como por exemplo: marxismo, platonismo, ceticismo não são tão lindas assim pelo público em geral?  Antes de darmos algumas pistas, vamos voltar um pouco na história e compreender as origens do estoicismo, para depois fornecermos algumas pistas sobre a pergunta aqui colocada.  II A filosofia do estoicismo foi fundada por Zenão de Cítio, um filósofo grego que ...

MARIA FIRMINA DOS REIS E O DISCURSO ANTIESCRAVISTA

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 I Maria Firmina dos Reis (1822-1917) é considerada a primeira escritora negra e abolicionista da América Latina. Publicou sua obra no século XIX e permaneceu no ostracismo durante cerca de 100 anos, até ser redescoberta em 1973 pelo historiador Horácio de Almeida e desde então teses, dissertações e biografias vem sendo produzidas, de modo a entender as nuances, ideias e faces desta mulher que, em certo sentido, descreveu um Brasil sob o ponto de vista daqueles que sofrem; no caso, os escravos e as mulheres.  Cabe colocar aqui nestas palavras algumas notas. Primeiro. Foi uma mulher à frente de seu tempo. Pois o nobre leitor deve saber que no século XIX os papéis femininos eram bem descritos, mas está autora não sossegou e não aceitou ser somente uma esposa que fica à espera do marido. Se alfabetizou, não se sabe como. Se foi à escola, mas tudo leva a crer que aprendeu as letras de maneira autônoma. Teve acesso à grandes escritores em língua francesa e inglesa e desenvolveu uma...