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Mostrando postagens de outubro, 2024

FORMAÇÃO E LEITURA DO HOMEM

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  Em meio à tanta loucura em nome da “razão”, a crítica cedeu lugar à doxologia . Releitura da última ceia, de Leonardo da Vinci, feita por Elvira Freitas Lira  Lembro muito bem quando Umberto Eco, o grande escritor e posso dizer, filósofo, escreveu sobre as redes sociais, que estas haviam dado voz aos imbecis, confesso que classifiquei essa colocação como elitista, mas, ao olhar o nível dos debates e aquilo que Carlos Nelson Coutinho nomeou de miséria da razão, ou seja, a perda do horizonte humanista, a razão dialética e a história, o que vemos é um monte de falas subjetivas que, tentam justificar determinados fatos sob a ótica do achismo, ou seja, da mera opinião.  O grande exemplo disso foi o debate envolvendo Ciro Gomes e Gregório Duvivier, uma verdadeira pobreza intelectual que só mostrou à falta de uma análise mais criteriosa sobre o Brasil. Mas que Brasil? De tudo foi discutido, menos o que deveria interessar ao povo Brasileiro. E por falar em nossa pátria, é preci...

BLOCO DO EU SOZINHO: NOTAS SOBRE A SUBJETIVAÇÃO DAS COISAS

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  Edward Hoppe. Automat (1927) Fala-se demasiadamente sobre os acontecimentos da sociedade e em muitos casos, opta-se por analisar as coisas de um ponto de vista particular, sem ao menos fazer relações com a história, cultura, política e todas as possibilidades e contradições derivadas da realidade. Sem este exercício,  dedicar-se à totalidade e suas contradições é impossível.  Geralmente, estas análises, em grande medida personalizadas tem como único objetivo colocar só sujeito no foco da atenção, desconsiderando três blocos importantes: 1) o uso da razão dialética - ou seja, racionalidade que leva em consideração o complexo de contradições, 2) o uso da história para compreensão dos fenômenos e sua totalidade, 3) o humanismo, que em pleno século XXI as pessoas estão fincadas naquilo que eu chamo de bloco do eu sozinho.  Estes três itens começaram a perder espaço na sociedade desde que a filosofia em meados do século XIX começou a descambar da razão dialética para um...

*A Precarização da vida é motivo do desencanto da periferia nas eleições*

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Ilustração: Vitor Teixeira  Texto escrito por: Tiaraju Pablo D'Andrea Os resultados das últimas eleições, principalmente na cidade de São Paulo, levantaram muitas perguntas sobre a periferia e o voto periférico. Ela sempre votou e continua a votar na esquerda? O fenômeno do "pobre de direita", que não é novo, está ditando os resultados? Na periferia, principalmente nos bairros mais pobres, há uma tendência histórica de voto à esquerda. Foram os votos da periferia de São Paulo que garantiram as vitórias de Erundina, Marta e Haddad, além das expressivas votações em Lula e Dilma. Também foram os votos da periferia que derrotaram Bolsonaro em 2022. É necessário lembrar que "esquerda" não é apenas uma turma intelectual de classe média externa à periferia. Muito além do período eleitoral, muita gente de quebrada é de esquerda. Desde movimentos populares a coletivos culturais, passando por sindicatos de trabalhadores e artistas, na periferia sempre se lutou e se reivin...

A CONFISSÃO DE UM FALSO MITO.

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  Um louco, com nome estranho, e com falsa confissão, engana um monte de pessoas com falsas promessas eleitoreiras. Em vida, tendo sido péssimo homem, depois de eleito, ganhou reputação de santo e é chamado de Mito. Caros senhores. A pior coisa de um homem que pode acontecer é ele ser enganado duas vezes. E muitos o foram com as promessas de um homem que, durante trinta anos foi um funcionário de segundo escalão e de repente, por um surto de cólera coletiva, se viu presidente.  Meu Deus. Virei presidente. E agora?  Chame o Guedes. Ele vai solucionar. Disse um outro.  Não demorou e este ser estranho, após a ressurreição da facada que levou de outro doido enviado do país das maravilhas, o senhor das bananas, voltou e se sentiu a última bolacha do pacote.  Quis ser Messias. E foi. Afinal, carregava o nome do próprio nome na identidade. Quando saiu às ruas, disse seu discurso revolucionário com poucas palavras e muitos gestos. Vou combater o mal com o bem. Meu Deus....

PATOLOGIAS DO CONTEMPORÂNEO: ACELERAÇÃO DO TEMPO.

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Salvador Dalí: A persistência da memória. 1931 Nossa vida na atual sociedade se caracteriza por dois momentos principais: a aceleração do tempo e a competição. E tais mecanismos ideológicos possuem efeitos devastadores na formação da psique, mas sequer percebemos o quão graves eles são. Mantemos a andada de nossos modos de vida como se fossem o último dia a se viver. Não há como não lembrar da canção de Paulinho Moska O último dia. Tal aceleração do tempo e de nossas vidas nos deixam cansados de nós mesmos.  Tais mecanismo são perceptíveis quando nós isolamos e não conseguimos enxergar a essência real do problema, pois há uma névoa que encobre nossos olhos e que nos impede de enxergar a coisa tal como ela é. Sair deste atoleiro é condição existencial de reexistência.   Mas quem realmente percebe tais mecanismos? Se perceber, o que fazer x aquilo que fazem de nós? Eis a questão chave para pensar e agir. Pensar somente não adianta.  Creio que o grande erro de compreensão em...