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Mostrando postagens de setembro, 2024

Droga da obediência.

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  O Brasil é um dos países que mais consomem tarja preta no mundo. I O célebre Jorge Luís Borges dizia que escrevemos nossos livros para nos ver livres deles Não sabemos nada quando nossos livros são lançados ao mundo. Nesta época repleta de pós-modernidade e sobretudo, liquidez, interpretações são as mais variadas possíveis, dignas, às vezes, de um realismo fantástico!  Pois bem meu caros. Como já perceberam, o título do texto remete ao escritor Pedro Bandeira e sua crítica radical aos fármacos e as consequências que este pode ter. Se é que é assim sua interpretação.  A partir do momento em que nossos livros dão vida própria, nós escritores já não podemos fazer nada. Uma vez lançado ao mundo, os dados estão lançados.  Mas, vamos ao ponto cerne de nossa reflexão: O Brasil vende cerca de 123 mil caixas de tarja preta por dia!  Lembram do título do texto? Droga da obediência.  O que significa vender tanto em uma sociedade que paradoxalmente padece de inúmeros...

O mundo do capital: reflexões de um tempo.

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  Guernica (1937) – Pablo Picasso Uma obra que reflete bem o poder destrutivo do capital I Uma das características do capitalismo  contemporâneo é tirar de todo ser humano a identidade cultural gestada em seu povo para lhes fornecer/impor uma normatividade repleta de fetiche. Isso mesmo. Fetiche. E tal palavra não é colocada à toa. Pois pense, em um sistema cujo sentido de sucesso está intrinsecamente ligado aos processos de desastres e de encobrimento do outro, perceber tais nuances não é tão simples assim. Quem acorda tem a exata medida da citação colocada aqui acima, uma espécie de pesadelo, cujo resultado é um longo processo de reconstrução de si mesmo.  Às vezes, o contrário nos faz acordar e pensar em um modo de produção, cujo resultado só pode ser a destruição por completo da vida, muitas vezes, é o pesadelo de uma extensão de vidas inteiras. Não é à toa que, por esta razão que no século XXI há tanta procura por curas milagrosas.  II Consequentemente aos proce...

Um ser a destruição do ser: sobre a causa palestina.

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  Edward Said arremessando uma pedra contra uma torre de vigia israelense na fronteira com o Líbano em 2000. I Começo dizendo que se faz mais do que necessário a filosofia pensar os problemas contemporâneos. Em específico, nós latino americanos, brasileiros, colonizados até o último fio de cabelo, não temos o costume de pensar com a própria cabeça. Eu mesmo durante décadas, desde minha entrada na graduação, até o doutorado, pensei com a cabeça dos outros. Formei-me com um PHD nos Estados Unidos, uma formação sólida, mas fraca no que diz respeito à causa brasileira/latino americana. Somente após o doutorado comecei a entrar em contato com obras que explicam nossa região. Isso é um exemplo de colonialismo!  Claro que a questão colocada aqui rende pano pra manga. O que seria pensar com a cabeça dos outros? O conhecimento ao longo dos anos não é fruto de inúmeras interações entre os homens? E como seria possível pensar com a própria cabeça?  Começo a dizer que pensar desta ma...

O QUE RESTA DA DITADURA?

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I Começo com um questionamento necessário, urgente e preciso. A pergunta levantada por Tales Ab’Saber foi trazida por Paulo Arantes em seu livro, Novo tempo do mundo , em específico no texto chamado 1964, aliás, um livro de suma importância para compreensão do mundo contemporâneo. O questionamento é o seguinte: O que resta da ditadura? Paulo Arantes responde da seguinte maneira: tudo. Menos a ditadura. Pois bem, este é o nosso ponto de partida das reflexões.  Já adianto ao nobre leitor acostumado com exegese de textos filosóficos que, este exercício aqui não será feito. As reflexões de Paulo Arantes são meramente um ponto de partida para desdobramentos de outras reflexões.  II Mesmo após 21 anos, a retomada da “democracia” deixou algumas heranças, uma espécie de presente de grego aos troianos. A participação dos militares no processo democrático, suas ameaças na construção dos artigos da constituição, demonstram muito bem que desde o início da república, militares vem “partic...