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Mostrando postagens de agosto, 2024

Por que elaborar o passado? Educação, memória e esquecimento.

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Manifestantes identificados por agentes da repressão em protesto ocorrido em 1968, em São Paulo, contra os acordos MEC-Usaid I O Brasil não foi capaz de elaborar seu passado. Refletindo sobre as causas do golpe de 1964 que, levaram milhares de pessoas a prisão, exílio, tortura e morte, temos um atual processo de esquecimento na sociedade administrada, seguido de completa refração. O que os brasileiros buscavam com a lei da anistia era esquecer a barbárie de maneira lenta, gradual e segura. Temos uma história não contada. Temos uma memória não recobrada. Temos uma história que está jogada debaixo do tapete.  Aquela época foi marcada por um alto processo de anticomunismo. Um delírio coletivo, cujo resultado foi a expansão do medo, censura e opressão. Os vermelhos iam invadir nossas casas e tomar nossos móveis. Isso soa tão atual. Por que será? O que os Estados e cidadãos do bem queriam apagar era o perigo vermelho promovido pela URSS e pela revolução cubana. Esse era o discurso da id...

Mal estar e ódio ao outro: notas de um mundo fragmentado.

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  Pablo Picasso, “Massacre na Coreia”, 1951. Foto: BPK/RMN-Grand Palais/Mathieu Rabeau/Succession Picasso/VG Bild-Kunst, Bonn 2021 I   De uns tempos pra cá, especificamente 2014 em diante, quando houve a eleição da presidenta Dilma Rousseff, vemos a presença de inúmeras manifestações de ódio aos que pensam de maneira diferente. E mais, um ódio que parecia estar guardado no fundo do inconsciente e que de repente alcançou a consciência e se manifestou de maneira bárbara sobre o outro, o diferente, parte fundamental para constituição do eu que pensa diferente.   Este ódio, que possui várias razões: políticas, econômicas, históricas, sociológicas e que em termos psicanalíticos, é o irmão rejeitado do amor, legitimado por lideranças políticas, trouxe à tona facetas escondidas a muitos indivíduos e que pareciam estar mal resolvidas no interior de muitos seres que encontraram legitimidade de expor suas ideias a partir do momento em que tais líderes começaram a dizer o que r...

RESSENTIMENTO

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  O grito, 1893 - Edvard Munch  I. A psique humana vem sendo construída por um  modo de produção que se transformou em uma forma de vida repleta de liberdade e responsabilidade. O atual discurso promove que somos inteiramente responsáveis pela gestão de nossa vida, inclusive, pelo sofrimento. Com a passagem da modernidade para o que se chama de pós-modernidade, as grandes referenciais e narrativas perderam espaço para uma espécie de individualização extrema que se tornou uma espécie de padrão vigente.  Nestes tempos neoliberais, de enormes exigências de si e para si mesmo, há um imperativo reinante: mais liberdade, menos Estado. Os desdobramentos deste modo de produção, de completa ausência de sentidos e solidariedade humana tem   deixado as pessoas abandonadas, - (no caso, os menos favorecidos) deprimidas, cansadas de si mesmas e sobretudo, solitárias. Este sofrimento, em meio às inúmeras exigências de maior desempenho , em meio à crescente desigualdade e coros...